129 milhões é fichinha: Gilmar Mendes agora aparece com 400 milhões do Master
Estadão: Coaf aponta pagamento de R$ 400 milhões a empresa que deu carona a Gilmar Mendes; frigorífico cita operações de câmbio, mas nega conta e investimentos no banco Master; ministro não comentou
Nenhum leitor vai querer ler um xingamento, mas essa notícia mereceria. De qualquer forma, o debate sobre o caso do Banco Master está mal colocado desde o início.
Imagina-se que o problema seja a existência de operações financeiras volumosas, quando na verdade a questão é a relação entre essas operações e o círculo de poder que as envolve. Confunde-se atividade econômica com circulação de influência, como se fossem a mesma coisa. Não são. Uma é mensurável por contratos; a outra, por proximidade. A partir daí, torna-se inevitável tratar cifras bilionárias como meras rotinas bancárias. E não há mistério algum nisso.
O escândalo não está apenas nos números. Está na seletividade deles.
Compara-se, por exemplo, o contrato de R$ 129 milhões envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes com os R$ 400 milhões movimentados em favor de uma empresa ligada ao empresário que ofereceu carona ao ministro Gilmar Mendes. Confunde-se aqui escala com natureza. Os valores são diferentes, mas o padrão é o mesmo. Em ambos os casos, cifras extraordinárias orbitam pessoas situadas no topo da estrutura institucional. A partir daí, torna-se inevitável que a explicação técnica substitua a explicação causal. E é só isso.
O erro mais comum é acreditar que a formalidade elimina o problema.




