Brasil na mira do congresso americano por tráfico de pessoas no Mais Médicos
EUA propõem bloquear verbas à OPAS por atuação em programa de médicos cubanos no Brasil
WASHINGTON, 1º de maio de 2026 — Um relatório do Comitê de Apropriações da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos recomendou o bloqueio de recursos destinados à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) até que a entidade apresente informações detalhadas sobre sua atuação no programa de envio de médicos cubanos ao Brasil.
O documento, elaborado no fim de abril como parte das diretrizes orçamentárias para o ano fiscal de 2027, expressa preocupação com o que parlamentares classificaram como “envolvimento anterior” da OPAS em um esquema descrito como “tráfico de médicos e pessoal de saúde cubano”.
Segundo o relatório, os Estados Unidos devem condicionar o repasse de verbas à organização à divulgação de registros financeiros e contratos relacionados ao programa, além de cooperação com ações judiciais em curso nos tribunais americanos movidas por ex-médicos cubanos.
O texto faz referência ao modelo de cooperação implementado no âmbito do programa Mais Médicos, no qual o governo brasileiro realizava pagamentos à OPAS, que, por sua vez, repassava os recursos ao governo de Cuba. De acordo com o documento, a maior parte dos valores era retida pelas autoridades cubanas, enquanto os profissionais recebiam apenas uma fração dos pagamentos.
As ações judiciais citadas no relatório foram movidas com base na Lei de Proteção às Vítimas de Tráfico dos Estados Unidos, que permite a estrangeiros processarem entidades envolvidas em supostos esquemas de trabalho forçado ou exploração laboral.
O programa de suposta cooperação médica com Cuba operou no Brasil principalmente entre 2013 e 2018, com intermediação da OPAS. Autoridades americanas não detalharam prazos para eventual bloqueio de recursos, mas indicaram que a medida dependerá do cumprimento das exigências de transparência por parte da organização.



