Moraes diz que políticos usam críticas ao SFT como “escada eleitoral”
Ministro afirma que candidatos usam “ofensas ao Judiciário” como tática eleitoral em vez de apresentar propostas
BRASÍLIA, 29 de abril de 2026 — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou nesta ontem que políticos sem viabilidade eleitoral recorrem a ataques ao Judiciário como estratégia de projeção, ao rejeitar uma queixa-crime apresentada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO) contra o deputado José Nelto (União Brasil-GO).
Durante o julgamento, Moraes disse que candidatos que não alcançam apoio suficiente “acabam querendo ofender o Poder Judiciário” e utilizar a Corte como “escada eleitoral”. O pedido foi negado pelo ministro.
Sem citar nomes diretamente, a declaração ocorre em meio a críticas recentes do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) ao STF, no contexto de sua pré-candidatura à Presidência.
Moraes também afirmou que pesquisas indicariam rejeição do eleitorado a candidatos que priorizam ataques à Corte em detrimento de propostas. Levantamento divulgado pela AtlasIntel nesta terça-feira aponta Zema com intenções de voto entre 3,1% e 3,8%, atrás de nomes como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD).
Segundo o ministro, críticas que ultrapassam o debate institucional e se tornam “agressões verbais” buscam evitar discussões sobre temas como saúde, educação e segurança pública, além de resultados administrativos.
O embate entre integrantes do STF e Zema se intensificou após a divulgação, pelo ex-governador, de vídeos satíricos intitulados “Os Intocáveis” em suas redes sociais. As publicações criticam decisões da Corte, incluindo despacho do ministro Gilmar Mendes que anulou medidas de uma CPI relacionadas a empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli.
Em reação, Gilmar Mendes encaminhou notícia-crime solicitando a inclusão de Zema no malfadado inquérito das fake news, relatado por Moraes, alegando ataques à honra do tribunal e de seus membros.
A troca de declarações se ampliou nos últimos dias após pronunciamento destemperado de Gilmar Mendes em entrevista, que geraram críticas por parte de Zema. Um pedido para investigar o ministro por homofobia foi arquivado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que concluiu não haver elementos que configurassem violação a “direitos coletivos da população LGBTQIA+”.
Em nota, a assessoria de Zema afirmou que o ex-governador não apresentou ação judicial contra o ministro e que o pedido partiu de terceiros.



