Moraes tenta intimidar Flávio Bolsonaro e senador reage
Moraes manda PF apurar Flávio Bolsonaro e senador reage com críticas e promessa de enfrentamento
BRASÍLIA, 15 de abril de 2026 — O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou a abertura de inquérito para que a Polícia Federal investigue se o senador Flávio Bolsonaro cometeu crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após publicações nas redes sociais.
A decisão prevê prazo de 60 dias para a apuração e tem como base uma postagem em que o parlamentar atribui ao presidente ligação com crimes e regimes estrangeiros, o que, segundo o ministro, pode configurar calúnia em ambiente público .
Em reação, Flávio Bolsonaro adotou tom combativo e afirmou que não se sente intimidado pela investigação. Em vídeo concedido a jornalistas em um corredor, o senador classificou o inquérito como tentativa de cerceamento e disse que suas declarações estão protegidas pela liberdade de expressão.
“Não seja o início de um cerco jurídico para tentar me intimidar e tentar me inibir de falar o que eu penso. Aquilo ali é pura liberdade de expressão”, afirmou.
O senador também declarou que pretende usar instrumentos legais para sustentar suas alegações, incluindo o pedido de “exceção da verdade”, e mencionou a possibilidade de solicitar informações a autoridades estrangeiras. Segundo ele, suas falas refletem posições já expressas pelo governo dos Estados Unidos sobre o regime venezuelano.
“Porque quem está acusando o Maduro de ser terrorista é o governo americano, não sou eu. A ligação histórica que existe entre Lula e Maduro é pública”, disse.
Ao comentar a decisão do STF, Flávio questionou a motivação da abertura do inquérito e afirmou que continuará fazendo críticas ao presidente.
“Não vou me calar. Vou continuar falando a verdade sobre quem é Lula”, declarou, acrescentando que, em sua visão, o presidente mantém relações com governos autoritários e prioriza alinhamentos ideológicos.
A fala do senador reforça a linha já adotada por sua defesa, que classificou a investigação como “juridicamente frágil” e sustentou que a medida representa tentativa de restringir o exercício do mandato parlamentar .
O episódio amplia a tensão entre Judiciário e oposição e reacende o debate sobre os limites entre liberdade de expressão e responsabilização penal por declarações políticas — tema que tem sido recorrente no Brasil nos últimos anos.



