O “Bessias” que finge ser contra o aborto, agora quer uma cadeira no STF
E o 8 de janeiro segue sendo usado contra o povo
O Brasil não está assistindo a uma simples indicação para o Supremo Tribunal Federal. O que está em curso é algo muito mais profundo e preocupante. A tentativa de levar Jorge Messias, conhecido nacionalmente como “Bessias da Dilma”, para dentro da mais alta corte do país acontece exatamente no momento em que milhares de brasileiros ainda pagam o preço de uma narrativa construída às pressas sobre o 8 de janeiro. Não é coincidência, é contexto. E, mais do que isso, estratégia. O mais grave é que, enquanto tudo isso acontece, as perguntas mais importantes seguem sem resposta, tanto dentro das instituições quanto nos bastidores onde as decisões realmente se desenrolam.
Mas há um ponto que muitos preferem ignorar, a posição real de Jorge Messias sobre o aborto. Durante a sabatina e em falas públicas, há uma tentativa evidente de evitar o enfrentamento direto do tema, como se ele pudesse simplesmente contornar a questão moral envolvida. No entanto, documentos da própria atuação institucional revelam algo bem diferente.
Em manifestação oficial da Advocacia-Geral da União, sob sua gestão, consta o seguinte trecho, que não deixa margem para dúvida: a crítica à comparação feita pelo Conselho Federal de Medicina sobre a assistolia fetal é considerada “despropositada”, sob o argumento de que ignora a situação da mulher vítima de estupro. Mais do que isso, o texto sustenta que a continuidade da gestação pode representar uma “verdadeira tortura” para a mulher ou adolescente, adotando integralmente a linha argumentativa já utilizada em votos do Supremo Tribunal Federal.
Na prática, o que está sendo defendido ali é a possibilidade de interrupção da gestação em estágios avançados, inclusive após 22 semanas, com o uso de métodos como a assistolia fetal, uma injeção aplicada diretamente no coração do feto para interromper os batimentos cardíacos. Não se trata de um debate abstrato, mas de uma posição jurídica concreta, sustentada em documento oficial.
E aqui surge a contradição central. Publicamente, evita-se o tema ou tenta-se suavizar o posicionamento. Nos bastidores institucionais, porém, a atuação segue alinhada a uma ampliação dessas práticas. Não é uma questão de interpretação, é o que está registrado.
Enquanto isso a sabatina no Senado, que deveria esclarecer pontos como esse, segue funcionando como um teatro previsível. O formato permite que perguntas diretas sejam simplesmente ignoradas. Senadores levantam questões duras, expõem casos concretos, mencionam abusos, mortes e decisões controversas, mas Bessias escolhe responder apenas aquilo que lhe convém. O restante desaparece.
Em um dos momentos mais simbólicos, um senador foi flagrado cochichando no ouvido do indicado, alertando para que tivesse cuidado com a movimentação de Davi Alcolumbre. A cena revela mais do que qualquer discurso oficial, mostra que o jogo real acontece longe dos microfones, onde acordos são costurados e resistências são calculadas.
Nos bastidores, o clima é de tensão. Um líder governista chegou a prever cerca de 45 votos favoráveis à aprovação. Ainda assim, cresce a percepção de que a movimentação silenciosa de Alcolumbre pode alterar esse cenário. Não há declarações públicas contundentes, mas há sinais claros de insatisfação e articulação.
Essa tensão ficou ainda mais evidente em um jantar recente que reuniu figuras centrais do poder em Brasília. O encontro, que deveria ser protocolar, revelou fissuras importantes. A presença de Messias não estava prevista e sua entrada como convidado surpresa causou desconforto imediato. Relatos indicam que Alcolumbre fechou a expressão e demonstrou irritação nos bastidores. Durante o jantar, o próprio indicado buscou apoio diretamente, tentando consolidar sua aprovação, mas o movimento parece ter produzido o efeito contrário, expondo resistências em vez de fortalecer alianças.
Enquanto isso, o 8 de janeiro continua sendo utilizado como base para justificar decisões extremas. Prisões em massa, condenações elevadas, processos padronizados e histórias individuais ignoradas seguem sendo tratados como consequência natural daquele episódio. A narrativa dominante insiste em colocar todos no mesmo pacote, sem distinção e, muitas vezes, sem prova individualizada.
O caso de Clezão permanece como um dos exemplos mais chocantes. Um homem que morreu dentro da prisão, mesmo com pedidos para tratamento de saúde fora do cárcere. Um caso que escancara limites humanos que foram ultrapassados.
Outro ponto que segue sem resposta é o das imagens do dia 8 de janeiro. Onde estão todos os registros? Por que não foram apresentados de forma completa? Há relatos de que existem gravações que poderiam esclarecer pontos fundamentais e que nunca vieram a público. Testemunhos mencionam a presença de indivíduos com comportamento organizado, vestimentas padronizadas e métodos que não condizem com os manifestantes injustamente presos e perseguidos. Nada disso foi explicado.
É nesse ambiente de silêncio, contradições e articulações de bastidor que avança a tentativa de colocar “Bessias” no Supremo. Não se trata apenas de uma indicação mas sim de um movimento que conecta decisões jurídicas, interesses políticos e controle de narrativa.
A pergunta que permanece, e que continua sem resposta, é direta, essas pessoas presas representam de fato uma ameaça real ou estão sendo usadas como exemplo? O fato de essa pergunta não ser enfrentada diz muito sobre o momento que o país atravessa.
No fim, não se trata apenas de quem ocupará uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Trata-se de entender até onde vão as contradições que estão sendo ignoradas e quanto disso ainda será empurrado para debaixo do tapete. E você sabe quem sofre no fim das contas, o povo trabalhador e pagador de impostos.



Uma pergunta essencial não foi feita: Que democracia tem seus nacionais exilados no exterior, condenados por “crime de opinião”?