Rede bilionária do funk na mira da PF
Polícia Federal mira rede bilionária de lavagem ligada ao entretenimento e prende MC Ryan SP e MC Poze do Rodo
Operação Narco Fluxo é desdobramento de investigações sobre tráfico internacional e movimentação ilícita de recursos; autoridades apontam uso de estruturas formais para ocultar dinheiro do crime
A Polícia Federal deflagrou, em 15 de abril, a Operação Narco Fluxo, que resultou na prisão de investigados, entre eles os artistas MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, no âmbito de uma apuração sobre lavagem de dinheiro em larga escala ligada ao crime organizado.
Segundo a PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas, contas bancárias, ativos digitais e estruturas formais utilizadas para dar aparência lícita a recursos de origem criminosa. A investigação conta com apoio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e cooperação internacional.
De acordo com os investigadores, o avanço decisivo ocorreu após a análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos e armazenamentos em nuvem de um operador financeiro apontado como peça central da engrenagem. O material permitiu mapear fluxos financeiros, identificar conexões e rastrear a circulação de recursos entre diferentes setores.
A operação é considerada desdobramento direto de investigações anteriores conduzidas pela própria PF, como a Narco Vela, que apura o uso de embarcações para o tráfico internacional de drogas, e a Narco Bet, voltada à movimentação financeira ilícita. Essas frentes revelaram a existência de uma rede estruturada que combina logística internacional, operadores financeiros e mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial.
As autoridades afirmam que o grupo utilizava atividades no setor de entretenimento e eventos para integrar recursos ilícitos ao sistema econômico formal, em um modelo que dificulta a distinção entre receitas legítimas e valores provenientes de crimes.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos. A defesa dos citados não havia se manifestado até a última atualização.
A operação reforça o diagnóstico de órgãos de inteligência de que o crime organizado no Brasil ampliou sua atuação para além do tráfico de drogas, consolidando estruturas financeiras complexas e infiltrando-se em setores da economia com alta circulação de capital e baixa rastreabilidade imediata.
Para investigadores, o caso expõe um padrão cada vez mais recorrente: o uso de figuras públicas, empresas de fachada e tecnologia financeira para sustentar esquemas de grande porte, com ramificações nacionais e internacionais.



