O ex-assessor de Moraes publicou em seu perfil no Instagram o vídeo da conversa entre Aécio e Gilmar em 2017. Vale a pena relembrar o ocorrido.
Um diálogo telefônico entre o então senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, expôs, em abril de 2017, o conluio criminoso entre o Judiciário e a articulação política no Congresso. A interceptação, autorizada pela própria Corte no âmbito da Operação Patmos, revelou a tentativa do tucano de mobilizar apoio para a aprovação do projeto de lei que tratava do abuso de autoridade.
Na gravação, Aécio pede diretamente a Gilmar que interceda junto a um colega de partido, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), titular da Comissão de Constituição e Justiça. O objetivo era garantir que o voto do paraense seguisse a orientação defendida por Aécio.
“Você sabe um telefone que você poderia dar que me ajudaria na condução lá. Não sei como é sua relação com ele, mas ponderando… enfim, ao final dizendo que me acompanhe lá, que era importante… era o Flexa, viu?”, disse Aécio.
Do outro lado da linha, o ministro responde sem hesitar: “O Flexa. Tá bom, eu falo com ele”.
Aécio insiste, explicando que Flexa seria decisivo na comissão: “Porque ele é o outro titular da comissão, somos três, sabe? Né…”. Mendes reitera: “Tá bom, tá bom. Eu vou falar com ele. Eu falei com o Anastasia e falei com o Tasso…”.
O senador mineiro então pede que Gilmar ressalte a importância da pauta: “Dá uma palavrinha com o Flexa… a importância disso e no final dá sinal para ele porque ele não é muito assim… de entender a profundidade da coisa… fala ó… acompanha a posição do Aécio porque eu acho que é mais serena”.
Gilmar encerra confirmando: “Eu falo com ele… eu ligo pra ele agora”.
A revelação provocou reação imediata no meio jurídico e político. Para críticos, a conversa evidenciou um perigoso cruzamento entre funções de Estado: um ministro do STF, responsável por julgar a constitucionalidade de leis e fiscalizar os limites de atuação do Legislativo, assumia papel de articulador político, em contato direto com parlamentares, para influenciar o resultado de uma votação.
Especialistas em ética apontaram que, ainda que não haja crime tipificado, a proximidade excessiva mina a confiança na imparcialidade da Suprema Corte. O episódio foi interpretado como mais um sintoma de um sistema em que as fronteiras entre poderes tornam-se porosas, e a autonomia institucional é fragilizada.
O caso entrou para a lista de episódios emblemáticos da crise de credibilidade vivida pelas instituições brasileiras no período, deixando a imagem de que, nos bastidores, a política e o Judiciário falavam a mesma língua — e com os mesmos interesses.
Esses são os que chamam senhoras e mendigos de terroristas que teriam “atentado contra o Estado de Direito”.










